11 de Mai de 2008

REGRESSO AO SAPO - CASA MÃE

O gato voltou a juntar tudo no sapo, casa mãe do rasgar o silêncio, abandonado pelos estados de alma no Blogger, que depois se juntou ao primeiro (o Sapo permite a importação de um blog inteiro do Blogspot, com imagens e comentários e tudo) ficando a chamar-se apontamentos. Depois novamento o Blogspot com os apontamentos assim-assim, e de regresso no blog de um gato vadio. Uma confusão.

Os conteúdos estão a entrar todos no blog da treza com a data de origem, excepto alguns que destaco, referindo no rodapé a data original de publicação. Porque era preciso encontrá-los.

10 de Mai de 2008

Garfada eminente

Os cansaços, de todas as qualidades e espalhados por todos os dias que as semanas não conseguem roubar aos meses, acabam por expurgar toda a alegria, todos os risos, ficando na alma a garra afiada e pronta para uma garfada nem sempre justa..

Tinhas dito que sabias o que querias, Talvez soubesse apenas o que não queria, É um princípio, mas não um caminho, pois não contém objectivos. Objectivos.. será possível estabelecer objectivos sem cair na ratoeira da (falsa) expectativa, Porquê falsa, É sempre um risco, Quem não arrisca não petisca, Mas nem sempre o petisco justifica o preço, Então e agora, Agora é tempo de levantar a âncora e fazer-me à vida, que a festa apaga a tristeza, Ah..

As palavras que morrem na curva descendente da coragem, escorrem pelas imagens aprisionadas na solidão da mudez e solidificam no túmulo da liberdade..
Mesmo que algumas aparências o neguem..

1 de Mai de 2008

Ao largo


Tanta tristeza escondida com o rabo de fora pelo meio de festas forçadas, impostas, propostas, atiradas aos pés dos incautos. As fraquezas expostas nos rebordos das máscaras, escorrem pelo peito enfeitado de outras máscaras, incham de importâncias imaginadas numa exposição desavisada e contínua.

Tantas cores, tantos gritos, tanto fingimento, tanta gente perdida da sua rota, qual bússola vendida ao desbarato na busca fácil do paraíso. Perdem-se os dias no marasmo repetitivo das modas, das tendências, da opinião do outro, da carneirada social.

Quando ninguém está a ver não existem os outros, não existe um deus omnipresente, ninguém sabe, porque a máscara existe, iludem-se.

27 de Abr de 2008

Na primeira pessoa

Pasmam-se-me as palavras ante a beleza do sol filtrado no teu sorriso. Não conseguem dizer a luz inebriante que o passar do tempo não perde, nem conseguem dizer a cor de cada momento nos teus braços. Procurei-as no dicionários sem medo de palavras grandes, que ainda assim, não conseguem conter uma única nuance do teu aroma, nem um poro. As palavras têm destas coisas, terem sido feitas para coisas já vistas e terem as suas limitações.


Mas que me resta então. Se a vontade de dizer amor não pede licença à razão. Cresce. Impõem-se. E não enfraquece quando a alma esbarra na mais inutil armadilha, a que retira os significados, como na fragilidade da palavra repetida até ao vazio. Desalmada, como que independente, esta coisa que ferve cá dentro quando o teu nome aparece a piscar na cara do meu telefone. Paixão que se eterniza e se renova no render dos dias em que vai sendo escrita a nossa história.


Abandonei os dicionários e fugi como o diabo da cruz de cada palavra holográfica em que piscava um zê e um ésse, Pessoa ter-me-ia odiado. Mas que me importam os acordos e regras ortográficas quando o meu peito quase rebenta desta sensação boa de gostar de ti. Rende-se-me a alma numa entrega encantada de afagos e toques e encontros e beijos teus. Invade-me esta força doida de risos rasgados de confianças e afectos. Vou deitar-me na cama que ainda murmura os nossos abraços em aromas que a memória mantem em primeiro plano. Vou render-me e deixar de procurar palavras que dissessem isto.


Sinto uma honra imensa em caminhar a teu lado. Isto tinha de ser dito na primeira pessoa.



Gato Vadio a 11.04.2007

18 de Abr de 2008

Quando


Anda, amor, corre, precisamos ir às compras, precisamos comprar coisas. Coisas úteis e coisas inúteis. Mais roupas, mais adereços, mais electrodomésticos, mais objectos decorativos. Vamos comprar um carro melhor, uma casa maior, reservar umas férias num estrangeiro mais longínquo. Vamos depressa, fazemos um crédito, mais um, Que tal um crédito consolidado, Vamos embora. Vamos depressa, que a felicidade é já a seguir.. Quando casarmos, quando tivermos filhos, quando ganharmos mais, quando formos promovidos, quando tivermos sorte. Quando acontecer algo que nunca aconteceu. Aconteça o que acontecer. Que de resto enche-se a cara nos copos, nas drogas. Ou entrega-se a alma a uma religião que garanta a nossa salvação. Depressa, depressa, amor, vem viver depressa, que conversamos quando chegarmos lá, quando tivermos tempo, quando calhar. Descansamos quando formos velhos. Paramos de fumar quando o médico nos assustar. Vivemos quando morrermos.
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14 de Abr de 2008

Nem sempre

Gritam todos os músculos e doidos desses gritos os neurónios derretem e escorrem pelas sarjetas encardidas de medo asfixiando uma auto-estima cansada de mentir ao espelho do entendimento.

Quando o engarrafamento do trânsito de pensamentos se dá sem acidente, fica-se parado sem ter obstáculos. Fica-se parado porque se fica em branco. Porque nem sempre são os obstáculos que barram a passagem..

9 de Abr de 2008

Podem ser tudo..


Anda de vagar, passinhos que se espera que acertem no meio da pedra da calçada ou lá vai mais uma sacudidela aproveitada para compor o cabelo e olhar para trás..

A sacola condiz com o cinto e sapatilhas enquanto a camisola condiz com as calças e com as cuecas, para quando tem de se baixar..

Sorriso a 45% que foi provado ser o mais sexy pela revista cor-de-rosa mais cara, e ar de quem não sabe bem que é.

Que sonhos, que vontade própria, que liberdade de ser, que endorfinas poderão alimentar a alma vazia dos carneirinhos sociais juvenis quando educados para pensar que podem ter tudo. Que PODEM SER TUDO.

Avizinha-se uma geração de trambolhões
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3 de Abr de 2008

Pára tudo, coitadinho



Pára de correr pela vida fora como se hoje não existisse ou não terás a lição de ontem e este terá sido em vão.
Pára de fingir que o sofrimento supera a culpa porque nem as tristezas pagam dívidas nem as lágrimas apagam erros. Pára de vomitar frustrações gratuitamente porque assim se fortalece a pena de si próprio. Coitadinho de mim que toda a vida tive tanto azar de conhecer tantas pessoas más e de estar sempre no lado errado das coisas, da vontade como da razão. Pára de correr pela vida fora como se hoje não existisse ou não terás a lição de ontem e este terá sido em vão.
Pára de fingir que o sofrimento supera a culpa porque nem as tristezas pagam dívidas nem as lágrimas apagam erros.
Pára de vomitar frustrações gratuitamente porque assim se fortalece a pena de si próprio.
Coitadinho de mim que toda a vida tive tanto azar de conhecer tantas pessoas más e de estar sempre no lado errado das coisas, da vontade como da razão.
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22 de Mar de 2008

Amar

Atiram-se os corpos cansados para longe da cidade e deixam-se no silêncio da paciência do mar em murmúrios.

Do crepitar da caruma pisada pelos anos de liberdade devida ao próprio, soltam-se as descobertas calcinadas pela teimosia das rotinas limitadoras de sentidos.
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.Amar começa no mar aberto das coisas simples.
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18 de Mar de 2008

Tens nas guelras o sangue amordaçado pelo tempo perdido e no peito os cacos da taça de querer ser melhor. Tantas lutas, tantos ferimentos, tantas noites ao relento da coragem que os dias oxidam.

Rebenta-se-me a alma de tanta tristeza, asfixiante como vapores de chá batidos pela briza lunar que teima em lamber-me as feridas da memória, enquanto tu permaneces imóvel, alheia e desistente. Como se o tempo tivesse desistido do seu galopar incansável. Como se não tivesses nada a perder. Porque há sempre a perder o que ainda se pode ganhar, grito..

Tristes são todos os olhos petrificados na solidão das máscaras impostas e limitadoras de entendimento comum, plural.. enquanto impressionantes listas de significados, também eles impostos, substituem os sentidos individuais, que entretanto escorrem pelas bermas dos caminhos entupindo todas as bocas de todos os gritos.
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